sábado, 31 de julho de 2021

Primeira Trans em Rio Casca com nome retificado conta um pouco da sua história


Marcelly Emanuelle Martins conquistou essa semana um passo que com certeza mudará sua vida. Nascida Matheus, conta que desde muito jovem não se sentia do sexo masculino e sim uma menina.

O termo transsexual foi criado na primeira metade do século 20, a princípio como uma palavra de uso médico, para denominar as pessoas que não se identificavam com o seu sexo biológico.

De lá para cá, surgiu o movimento trans, que ampliou esse debate, passando a lutar pelo reconhecimento e direitos das diferentes existências fora da conformidade de gênero.

Veja abaixo uma entrevista que fiz com a Marcelly:

Michel: Qual seu nome completo?

Marcelly: Marcelly Emanuelle Martins.

Michel: Você tem q idade?

Marcelly: Tenho 21 anos

Michel: Mora em que bairro? Sempre morou em Rio Casca?

Marcelly: Eu moro no bairro Bela Vista, sim sempre morei aqui em Rio Casca.

Michel: Quando e como percebeu que era trans?

Marcelly: Eu sempre me senti uma mulher desde criança, só que por medo da aceitação e da reação da minha família eu vivia escondida, com medo de demonstrar quem eu realmente era, só que o tempo foi passando e eu não estava conseguindo mais controlar esse sentimento dentro de mim. No início de 2020 eu decidi me assumir e foi daí que eu comecei a ser quem eu sou hoje.

Michel: E como foi o processo para alteração de documentos?

Marcelly: É um pouco burocrático por ser necessário retirar muitas certidões, como certidão civil, federal estadual etc., mas com a ajuda das meninas do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais, foi “fácil”, pois elas me ajudaram muito nesse quesito. No início quando eu mesma comecei a mexer fiquei um pouco perdida.

Michel: Quanto tempo demorou esse processo?

Marcelly: Tinha mais ou menos duas semanas que eu estava indo atrás de algumas certidões , mas assim que as meninas deram  início no processo com uma semana ficou pronta a certidão.

Michel: Você passou por muito preconceito?

Marcelly: Muito! E até hoje quando passo algumas pessoas que não me conhecem ainda, fazem certos tipos de comentários preconceituosos comigo.

Michel: Pode dar algum exemplo de situação que tenha sofrido preconceito?

Marcelly: Uma vez eu estava passando na rua e uma mulher olhou para a amiga ao lado e começou a rir num tom de deboche , dizendo baixo com amiga que eu nunca seria uma mulher, pois nasci homem.

Michel: E como foi a aceitação da sua família?

Marcelly: Bom, no início foi meio difícil pra eles aceitarem, por não saberem ainda o que é ser trans, mas hoje em dia é bem de boa o relacionamento com a minha família, eles respeitam.

Ah! E não posso deixar de falar que nisso tudo a minha irmã vem sendo meu alicerce, pois ela me motiva muito a continuar e tem sido uma força para enfrentar todo preconceito da sociedade.

Michel: Você acredita que algo vá mudar com a alteração do documento, ou fez por realização pessoal?

Marcelly: Acredito que sim. Quero que isso se torne algo motivacional a todas meninas trans, que isso encoraje  elas a serem quem são e correrem atrás do direito delas de serem reconhecidas.

Michel: O que você diria para quem tem preconceito?

Marcelly: Que eles se coloquem no nosso lugar e aprendam a respeitar todas pessoas independente de sexo, cor, gênero, raça ou religião. Que eles saibam praticar o ato mais lindo que Jesus deixou a todos que é o amor ao próximo.

Michel: Tem mais alguma coisa que queira acrescentar?

Marcelly: Quero desejar força e coragem a todas meninas e meninos trans, que estão nessa luta junto a mim, JUNTOS VENCEREMOS O PRECONCEITO.

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