Anúncio

Anúncio

quarta-feira, 14 de março de 2018

Após rompimento de mineroduto, Prefeitura de Rio Casca diz que rejeito de minério chega a ponto de captação de água

O secretário de Administração da Prefeitura de Rio Casca, José Geraldo Gonçalves, informou na noite desta terça-feira (13) que o rejeito de minério já chegou ao ponto de captação de água para abastecimento da cidade. Na segunda-feira (12), a tubulação de um mineroduto da Anglo American se rompeu em Santo Antônio do Grama, na Região da Zona da Mata, em Minas Gerais.

Segundo ele, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) está monitorando a qualidade da água e nesta quarta-feira (14) vai decidir com o prefeito como vai ficar o fornecimento de água potável para os moradores do município de Rio Casca.

A Anglo American informou que apenas um dos pontos monitorados do Rio Casca registrou índice de turbidez acima do limite legal e que começa a retirar nesta quarta as partículas maiores depositadas no leito do Ribeirão Santo Antônio e fazer a limpeza da calha.

A empresa disse também que está distribuindo água mineral para os moradores de Santo Antônio do Grama e que um sistema de bombeamento de água do Córrego Salgado vai permitir o abastecimento de metade da cidade.

PEDIDO DE BLOQUEIO

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou, nesta terça-feira, uma ação civil pública, pedindo o bloqueio imediato de R$ 10 milhões da Anglo American. O Ministério Público Federal (MPF) também abriu um inquérito para apurar o incidente.

Com o rompimento da tubulação do mineroduto, nesta segunda-feira (12), polpa de minério de ferro foi lançada no Ribeirão Santo Antônio. A água ficou marrom, e a captação e o abastecimento precisaram ser suspensos.

Na ação, o MPMG pede que a Anglo American adote medidas para parar, imediatamente, o vazamento de substâncias do mineroduto e a contaminação do meio ambiente. Além disso, quer que a empresa seja obrigada a, no prazo de 72 horas, fazer a contenção e posterior retirada e destinação dos poluentes.

O Ministério Público ainda quer que a Justiça, ao fim do julgamento da ação, fixe a responsabilidade da Anglo American pela reparação integral dos danos ao meio ambiente, à saúde e aos consumidores de serviço de abastecimento de água.

A Anglo American declarou que ainda não foi notificada sobre a ação do Ministério Público e nem pelo Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

População sofreu com falta de água

Cerca de 4,1 mil pessoas ficaram sem água desde esta segunda. Para o pedreiro Júlio Moreira, ficou difícil tocar a obra em que está trabalhando. “Fala que vai dar jeito, dar jeito, dar jeito e, desde ontem [segunda], meio-dia, que está dessa forma”, disse.

Nesta terça, estudantes de uma escola estadual foram liberados mais cedo. As aulas à tarde foram suspensas. Enquanto o abastecimento não for restabelecido, moradores se viram buscando água em uma bica.

A prefeita de Santo Antônio do Grama, Alcione Albuquerque (PP), reuniu-se com representantes da Anglo American e cobrou uma medida emergencial. “Eu quero que solucione esse problema, imediatamente, sem burocracia porque o povo não pode esperar. Enquanto isso, estamos exigindo que venha água mineral”, disse a prefeita.

À tarde, a empresa disponibilizou nove caminhões-pipa para abastecer a estação de água da cidade.

De acordo com a Copasa, os caminhões não vão garantir o abastecimento de água para a cidade e será preciso fazer a captação em outro córrego: o Salgado. A mineradora disse que vai trabalhar junto da companhia para captar água.

Obras estão sendo feitas no local do rompimento, e as atividades na estação de bombeamento da mineradora estão suspensas até que o reparo da tubulação seja concluído. A Anglo American informou que as causas do incidente estão sendo investigadas.

Segundo a empresa, 300 toneladas de minério vazaram da tubulação. A mineradora informou que instalou diques que funcionam como filtros e que está monitorando a qualidade da água.

"São sete barreiras de contenção colocadas próximo ao local do acidente e elas servem para filtrar o sendimento, o minério de ferro. Tudo que é sólido fica retido por essas barreiras de contenção e passam só os líquidos. E, abaixo dessas barreiras, a inspenção visual demonstra a normalidade da água", disse o diretor de Assuntos Corporativos, Ivan Simões.

Já o Núcleo de Crimes Ambientais (Nucrim) do MPMG, diz que houve o vazamento de 450 m³ de minério durante aproximadamente 45 minutos, seguido de injeção de água disponível na estação para conter o minério dentro do duto.

Equipes do Ibama, do Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do MPF e do MPMG passaram o dia avaliando a extensão dos danos ambientais.

“Neste momento, o trabalho que nós estamos fazendo. É esse trabalho inicial, esse levantamento inicial, na emergência, e autos de fiscalização sendo lavrados para servirem de subsídio técnico à elaboração do auto de infração”, destacou o subsecretário de Fiscalização Ambiental, Cláudio Vieira Castro.
Mineroduto

A Anglo American extrai minério de ferro em Conceição do Mato Dentro, onde ele é misturado com água para produzir uma polpa. Esse material é bombeado para o mineroduto, que passa em Santo Antônio do Grama.

A instalação de 529 quilômetros também passa pelo Rio de Janeiro. No Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), o minério de ferro é separado da água e embarcado em navios para exportação. A água eliminada é tratada e jogada no mar.

Segundo a Anglo American, o mineroduto, inaugurado em 2014, é o maior do mundo. A empresa diz que é um meio de transporte seguro, monitorado em todo o trajeto. Diz ainda que tem um plano de emergência para o caso de vazamentos, que, mesmo sendo raros, podem ocorrer, e, de acordo com a própria mineradora, causar danos ao meio ambiente.

De acordo com a mineradora, o material que vazou é considerado resíduo não perigoso.

Fonte: G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário