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sexta-feira, 3 de julho de 2015

"Acho que criei um monstro" diz mãe da acusada de matar grávida em Ponte Nova

“Por detrás disso tem outra podriqueira”,
disse Teresinha, que vai cuidar dos netos.
Foto: O Tempo

 Mãe de mulher que assumiu assassinato de jovem para roubar bebê diz que filha não agiu sozinha

Ponte Nova. Em vez de Bernardo, conforme a escolha dos pais verdadeiros, o filho da grávida de nove meses morta na sexta-feira em Ponte Nova, na Zona da Mata, foi registrado como Vítor Patrocínio da Silva. A delegada regional da cidade, Iara Gomes, informou que o registro foi feito na segunda-feira, com data de nascimento do dia 26 de junho. A ousadia da principal suspeita do crime, Gilmária Silva Patrocínio, 33, impressiona até a mãe dela. “O homem (companheiro) estava dando pulos de alegria, e eles até registraram (o menino)”, contou a cuidadora Teresinha Apolinário Lourenço, 62. Ela e a família têm vergonha dos atos de Gilmária. “Acho que criei um monstro”, contou em entrevista a O TEMPO.

Antes da prisão da filha, Teresinha já desconfiou que algo estava errado. “Ela não contou que estava grávida. Quando vi o menino, perguntei onde tinha o encontrado. Ela me disse que ganhou em casa e que bombeiros a levaram para o hospital”.
Vítima. Motorista Júlio da Silva, 33,
diz ter acreditado que bebê
era filho dele e que se sente enganado.
Foto: O Tempo

A cuidadora achou estranho o fato de Gilmária não ter leite. “Eu não achei o menino parecido comigo”, afirmou. Segundo Teresinha, a filha levou a criança a sua casa no domingo, após deixar o hospital. Ela ficou com os familiares por 20 minutos e foi para a própria casa.

Apesar de reconhecer o envolvimento da filha com o crime, Teresinha tem dúvidas de como tudo aconteceu. “Ela não consegue matar uma galinha, como iria tirar uma criança viva e carregar um corpo?”, questiona. Para a mãe, Gilmária teve a ajuda de outra pessoa, que ainda não foi identificada. “Como mãe, juro que ela não agiu sozinha. Por detrás disso tem outra podriqueira”.

Abalo emocional. Com a filha presa, Teresinha vai precisar se desdobrar para cuidar dos quatro netos. Ela diz não ter condições de ficar em dois empregos – cuida de duas deficientes mentais e de uma senhora. “Que cabeça eu vou ter para trabalhar?”, desespera-se.

Teresinha não conseguiu advogado para o caso nem pôde ir à Defensoria Pública. “Não quero que minha filha fique no presídio, tenho medo. Mas agora ela está isolada, depois eu não sei”.

Investigações. O delegado do caso, Silvério Rocha Aguiar, informou que aguarda laudos das perícias para determinar a causa da morte de Patrícia e que a corporação trabalha para saber se tudo o que Gilmária confessou é verdade. Ela pode ser indiciada pelos crimes de sequestro e homicídio.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o hospital Nossa Senhora das Dores, onde Gilmária se internou, informou que é praxe disponibilizar o documento para o registro e que não havia suspeita de crime quando o procedimento foi realizado.

Segundo a unidade, assim que se cogitou a hipótese de Gilmária não ser a mãe, a Polícia Civil foi informada. O hospital cooperou na realização de exames pedidos pela corporação.

Fonte: O Tempo

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