terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Colunista Mauro Fontenelle - Lendo, Lendo, Lendo

Quando fui convidado para escrever esta coluna, não tive dúvidas e aceitei na hora. Uma coluna sobre livros para um leitor compulsivo era como tirar doce de criança. Só depois me dei conta de que escrever sobre livros não é tão simples como elogiá-los ou recontar passagens de maneira informal.
Tentei começar pelo livro A Queda do escritor, colunista e babaca mor Diogo Mainardi. Seria fácil.
Um breve resumo do pai contando as conquistas de seu filho com paralisia cerebral em número de passos antes da “queda”. Foi nessa hora também que percebi, que pelo menos para mim, seria necessário ler sabendo que deveria escrever a respeito para depois escrever. Tomado por esta certeza estou lendo A História do Brasil nas Ruas de Paris (Maurício Torres Assumpção) e em breve irei discorrer a respeito neste espaço.
Como texto de abertura, vou falar um pouco da minha relação com os livros e da minha opinião (tão somente minha), sobre o estímulo e ensino da leitura e Literatura desde a minha infância até os dias de hoje. É pretensão minha dizer que quero induzir as pessoas a ler, mas no fundo a vontade é essa mesma. 
Considerando a estatística de livros lidos por cada brasileiro de 4/ano, e apenas 2,1 até o final, posso me auto declarar um leitor bem acima da média nacional. Meus livros são como troféus. Não dou nem empresto. Caso veja interesse em demasia por algumas de minhas “medalhas”, terei enorme prazer em presentar o interessado. Já são 848 conquistas, sendo a última Cândido de Voltaire. Sonho em ter uma biblioteca com mais de 5000 exemplares, legado para o meu filho ou a quem possa interessar. Até lá são todos meus e meus. 
Quando desenvolvi o gosto pela leitura já estava formado. Dos clássicos de nossa literatura, só me lembrava da ojeriza e do sono que sentia quando a escola ou o vestibular me obrigaram a lê-los ... e confesso que sempre recorria aos estudos da obra pois os originais me pareciam tortura psicológica. 
Se no ensino fundamental e médio nos fossem dados livros compatíveis com os interesses daquela fase, acho que o gosto pelos grandes escritores, como Machado de Assis, seria muito mais recorrente nos adultos de hoje. Aos 11 anos, o Gênio do Crime (João Carlos Marinho) e aos 17, Agosto (Rubem Fonseca) causaram verdadeiro frenesi nas minhas turmas do Colégio Loyola em Belo Horizonte. Todos queriam ler e comentar. Não acredito que um adolescente de 15 a 17 anos, com exceções é claro, tenha recursos técnicos e muito menos interesse para ler grandes obras como Dom Casmurro (Machado de Assis) ou O Cortiço (Aluízio de Azevedo). Eu na verdade tinha sono, muito sono. As festas de fim de semana e as férias em Rio Casca eram infinitamente mais importantes. 
Hoje, aos 41 anos, já li praticamente todos os livros dos antigos “inimigos” e não tenho a menor dúvida em afirmar que são verdadeiras obras de arte e que a admiração por elas não surgiu na época de escola. Primeiro precisamos gostar de ler para depois gostar de ler os grandes mestres. Não me ataquem os professores de Português e Literatura, mas essa é uma opinião minha e que a meu ver como estratégia na formação de leitores seria bem mais acertiva.
Antes de fechar queria contrariar a máxima de que quem lê muito escreve bem. Posso até me expressar bem verbalmente, ao contrário do que acontece quando preciso de frases deixadas em um pedaço de papel . Quero assim, de antemão, pedir desculpas por erros de português e de estrutura gramatical afinal sou apenas um leitor. Até breve e leia, lembrando sempre que o SUPER não conta.








Mauro Fontenelle 
mauro.fontenelle@hotmail.com 

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